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sábado, 9 de março de 2013

Soneto da separação - Vinícius de Moraes



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

domingo, 3 de março de 2013

Luís de Camões


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

sábado, 2 de março de 2013

Atriz global Elisa Lucinda promove oficina "Poesia Viva" no 1º Circuito Pré-Flap 2013


Nos dias 3, 4 e 5 deste mês, o 1º Circuito Pré-Feira de Livros 2013 traz a Macapá a atriz, poetisa, jornalista e cantora Elisa Lucinda. A artista promoverá a oficina de "Poesia Viva", que inicia neste domingo, 3, às 9h, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda. As atividades contarão com a participação de professores, poetas e artistas amapaenses.
A visita de Elisa Lucinda à capital também faz parte da programação organizada pelo Governo do Amapá lançada na última semana, que dedicará um mês de homenagens às mulheres amapaenses, com extensa agenda de atividades.
A oficina será ministrada com a parceria da atriz e professora da Casa Poema, Geovana Pires, cuja instituição socioeducativa capacita profissionais através da poesia falada.
A iniciativa tem como objetivo ensinar os participantes a recitar poesias, seus encantos e poemas de uma maneira simples e pura. A ideia é fazer com que as palavras reassumam seu papel de geradoras de imagem, além de tornar essas pessoas multiplicadoras desse jeito de dizer poesias.
Na terça-feira, 5, às 19h no Museu Sacaca, será apresentado um recital aberto ao público, como resultado das oficinas com os participantes e multiplicadores.

Espetáculo "Recital à Brasileira"
Na quarta-feira, 6, às 19h, no Teatro das Bacabeiras, ocorrerá o "Recital à Brasileira", apresentado pelas atrizes Elisa Lucinda e Geovana Pires. O espetáculo, inédito no Brasil, traz um olhar brasileiro sobre as obras de grandes poetas da língua portuguesa. Um presente aos amapaenses, em especial às mulheres.
O espetáculo faz parte da "Companhia da Outra", que, em 2010, foi convidada pelo Itamaraty para realizar um recital na Casa Fernando Pessoa. Tecido sob uma interpretação informal, os poemas dos heterônimos e de Fernando Pessoa, por ele mesmo, ganharam outra moldura nas vozes das atrizes, que também vivem no teatro os personagens Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, na peça "A natureza do olhar", sucesso de público e de crítica.

Elisa Lucinda
Nascida em Vitória (ES), em 2 de fevereiro de 1958. Atriz, poetisa, jornalista e cantora, Elisa Lucinda dos Campos Gomes mudou-se para o Rio de Janeiro em 1986 para seguir a carreira de atriz.
É autora de 12 publicações, entre elas "Lua que menstrua", "Sósia dos sonhos", "O Semelhante", "Eu te amo e suas estreias", "A Menina Transparente", "Coleção Amigo Oculto", "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", dentre outras.
Já participou de dez telenovelas, sendo a última "Lado a Lado", no ar pela Rede Globo. No cinema, interpretou personagens nos filmes "Barrela: Escola de Crimes", "A Causa Secreta", "O Testamento do Senhor Napumoceno", "Dona Joia", "A Morte da Mulata", "Seja o que Deus Quiser", "As Alegres Comadres", "Mrs. Rocha e Gregório de Matos".
Elisa Lucinda é considerada a artista da sua geração que mais populariza a poesia. Seu modo coloquial de se expressar faz com que o mais complexo pensamento ganhe fácil compreensão. Elisa Lucinda e Geovana Pires criaram a Companhia da Outra, grupo teatral que desenvolve sua linguagem de teatro essencial através da poesia.
Por Andreza Sancher

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Desejo boas notícias - Texto de Marla de Queiroz


Mas o que faz a dor? A dor quando bem vivida, percebida, acolhida, não passa de uma forte emoção. Nem toda dor é causada por alguém: dor de amor é a mais vulgar (no sentido de ser a mais comum), dor existencial é uma transcendência. Não evito minhas dores, vou até o cerne dos sentimentos, vejo-a tão vital quanto a alegria. Pois se, através deste processo também me vem a necessidade de autoinvestigação e reformulação interna, por mais desnorteada que eu me veja enquanto inserida no emocional da situação, é esse desconforto que me indica o degrau acima, me tira da zona de conforto, me instiga a buscar uma nova direção. A dor bem aproveitada não deve ser temida, deve ser usada como ferramenta para o autoconhecimento, extirpação do mal resolvido, para o crescimento. Eu não temo a dor, nem emoção alguma, se assim fosse, até a alegria me incomodaria. O que não permito é que ela me leve ao estado da prostração, da autopiedade ou de algo que não aceite regeneração. Dor transmuta-se. E o Tempo dono de todas as coisas, ensina quão provisório é o pranto e a gargalhada. Por isso não recuso nada.

Que venha o que vier, como vier. Eu suporto qualquer circunstância que me lapide, que me desassossegue para que eu valorize os momentos de paz do meu coração.

Vida é totalidade. Inclui tudo. Vida é vontade de Mundo.
Dor faz parte da vida e, por mais preciosa que seja, não permito que ela seja a parte mais importante.

Desejo boas notícias.




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Que doa

Que doa. Que rasgue cada véu de ilusão que foi criada. Que as lágrimas escorram gordas pela face impassível, que se derramem as retinas se o pranto de água e sal não for suficiente. Que entorpeça, que me leve à beira da loucura essa sutura mal feita. Ferida que não cicatrizou, eu estava certa. Havia uma infecção emocional que apenas um bisturi poderia extirpar. Que seja. Não faço mais curativos e nem lanço mão de placebos. Que seja insônia, agonia, desespero se for este o caso. Não conheço vida sem quaisquer umas destas emoções. Mas que venha tudo: o cru, o imundo, o insuportável. Que eu possa sentir até o fundo dos poros, que todo o veneno amoleça minhas veias, que a dor, antes obsoleta, pois a vida exigia uma sucessão de alegrias, me corroa com inteireza.
Mas que eu renasça... E cresça.
E que possa receber, após esta limpeza, a paz.
Desejo coragem para quem nasceu pra sentir demais.

Por Marla de Queiroz

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vinícius sabe o que diz


Chore, grite, ame.
Diga que valeu, que doeu, que daqui pra frente só vai melhorar.
Perdoe, insista, ame novamente.
Não leve a vida tão a sério.
Descomplique.
Quebre regras, perdoe rápido beije lentamente.
Ame de verdade, ria descontroladamente e nunca lamente nada que tenha feito você sorrir..."
(Vinícius de Moraes)

domingo, 20 de novembro de 2011

Martha Medeiros


‎"Se você quiser me contar seus segredos
Sou de todo ouvido.
Se os seus sonhos não derem certo, estarei sempre lá para você.
Se precisar se esconder, terá sempre minha mão.
Mesmo se o céu desabar, estarei sempre contigo.
Sempre que precisar de um lugar, haverá meu canto, pode ficar.
Se alguém quebrar seu coração.
Juntos cuidaremos.
Quando sentir um vazio, você não estará sozinho.
Se você se perder lá fora, te buscarei.
Te levarei prá algum lugar se precisar pensar.
E quando tudo parecer estar perdido e você precisar de alguém eu estarei sempre aqui."

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

NEM TUDO É FÁCIL! Cecília Meirelles


É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!